terça-feira, junho 20, 2006


Em braços
ombros
pescoços
m?os entrelaçadas
olhos navegaram em lágrimas...
olhos marinhos molhados...
olhos nocturnos aguados...
sonhos pintados a negro e verde...
estrelas cintilaram por entre
o negro céu
reflectindo-se no verde mar...
vida pintada a negro e verde...
foi belo....

(pintura de Hans Paus, A place to meditate I)

sexta-feira, junho 16, 2006

Estar na foz do Douro

Hoje, e porque as dores n?o nos afectam sempre, apeteceu-me recordar prazeres de antanho. Um poema de amor e beijos pintados a magia!
Estar na foz do Douro
Sentindo o vento em meu cabelo
É desejar ser feliz
E é, porventura, já s?-lo!

A espuma branca das ondas
É teu sémen em meu ventre...
Elas gemem...
Meu corpo sente!

Elas t?m seu orgasmo
De onda em onda...
Eu tenho quando me amas!
Ah! meu ser n?o é mais o mesmo!

Eu sou quem anseia
Ter-te em mim, a cada momento!
Tu és a onda branca e eu a areia...
Tu me satisfazes debaixo do firmamento!

O vento penetra o meu cabelo;
O mar, areias e algas!
Eu quero sempre t?-lo;
E ele, penetrá-las !

Estar na foz do Douro
Sentindo o vento em meu cabelo
É desejar ser feliz
E é, porventura , já s?-lo!

quinta-feira, junho 08, 2006



S?o horas de dormir
Pois a vida é curta.
Já n?o tenho vida ,
Sou de todo uma perdida ...
Sou de todo uma louca.


Quem me procura que espera ?
Sou esqueleto imperfeito
Sem ossos nem entranhas.
E as minhas dores s?o tamanhas...


S?o horas de dormir
Pois a vida é curta.
Já n?o tenho vida
Sou de todo uma perdida...
Sou de todo uma louca.
(The old guitarist, 1903, Picasso)

sábado, junho 03, 2006

Partilha de afectos

Ontem, estive pela primeira vez na reuni?o mensal da Associaç?o MYOS, que se realizou na Junta de Freguesia da Campanh?, ?s 21:00.
Foi preciso coragem para conhecer e ver a express?o e a postura de outras pessoas como eu (só conhecia a Dulce, cujo marido, Jo?o, e amiga Zi, foram connosco) que sofrem de Fibromialgia e Síndrome da Fadiga Crónica!
Somos de Braga, e em Braga, tal como no resto do país, o sil?ncio impera sobre estas doenças que n?o nos deixam viver!!!!!!
Resolvemos colaborar com a delegaç?o do Porto e trouxemos folhetos para colocarmos em tr?s farmácias, para já!!!!!
Vamos tentar, na zona de Braga, juntar-nos na nossa dor e na aprendizagem de lidar com ela! N?o queremos que nos vejam com comiseraç?o e, como n?o conhecem ou n?o compreendem a doença, v?o-nos dizendo "Vá lá, isso passa!" (e nós cerramos as m?os e os dentes, deixamos verter uma lágrima e... continuamos as nossas vidas!!!!)
Um beijo e vivam um dia de cada vez!

domingo, maio 28, 2006






Oiço vozes para além do parapeito da janela.
Um cantor, na falésia, sonha em beber o mar...
O cerúleo céu é sem cor !
- E eu, aqui, dormitando em pesadelos,
Meço em 37,7 a minha dor !...

Preg?es de mulher rouca:
Sardinhas e palavras poluídas -
Rasgos do dia pendurados na corda da roupa...
- E eu, aqui, auscultando as minhas feridas,
Achaques, pústulas, tremuras...

Um noise surdo, vibrante, contínuo,
Entrecortado pelo tinir do ferro de engomar -
em que a senhora ao lado é maestra !
- E eu, aqui, em solfejos e gritos
Choro para desatino da orquestra !

É uma mulher que canta, agora ;
É mesmo aqui ao lado, no quarto da engomadeira;
É uma mulher que contralta em gritos!
- E eu, aqui, soprano, soltando gemidos
Enterrada nesta poltrona-cadeira !

Lá fora há passos e apitos,
Motores e um marulhar terrífico
De ruídos, barulhos, riscos ...
- E eu, aqui, já minha cabeça estala ,
Já perdi o tempo, quiçá a fala !

Lá fora todos passam...
- E eu ... para aqui, coitada !
Pintura: Loneliness of consciousness de Chinqkuen Chen

domingo, maio 07, 2006

Dia da M?e


Chegas sem avisar..
Vem que estou cansada
De te esperar !

Vem filho,
Vem menino!

Ó filho de meu ventre
Que dizes de tua m?e ?

Ó filho menino...
Somos um mundo
? beira da criaç?o !
Ah! como anseio
O momento da explos?o !

Vem filho,
Vem menino !

Quero ver o que
Minhas entranhas criaram.

Quero sentir dor e prazer
Quero gritar e chorar
Quero gemer e rasgar
Quero sujar-me de água e sangue
Quero dar-te sol e calor
Quero dar-te vida e amor

Vem filho,
Vem menino !

Mostra-me que há
Perfeiç?o interna
Em meu ventre
T?o pequenino !

quinta-feira, maio 04, 2006


Sinto que desfaleço

Sempre que me amordaço

Porque sou de barro

E n?o de ferro ou de aço

Se quando em mim desço

E quando de mim saio

Me desfaço

.....................